Assis registrou 232 acidentes por animais peçonhentos em 2025, segundo dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponíveis no site do Centro de Vigilância Epidemiológica do Governo de São Paulo. O número é puxado principalmente pelos acidentes com escorpiões, que somaram 199 notificações no ano, representando cerca de 85% do total. Felizmente, não houve nenhum óbito.
Além dos escorpiões, também foram registradas notificações envolvendo abelhas (23 casos), serpentes (7) e aranhas (3). Não houve registros para acidentes com lagartas.
Escorpião – principal responsável pelos acidentes
O escorpionismo segue como o mais frequente acidente por animais peçonhentos em Assis e em grande parte do estado de São Paulo. A maior parte dos atendimentos ocorre em regiões urbanas e dentro de residências, principalmente em locais com presença de entulhos, frestas e acúmulo de materiais.
No painel epidemiológico estadual, os acidentes por escorpiões em Assis apresentam:
Tempo entre acidente e atendimento:
- 0h — 1h: 88,94%
- 1h — 3h: 8,54%
- Demais faixas: inferiores a 1%
Regiões do corpo mais atingidas:
- Dedo da mão: 26,63%
- Pé: 20,10%
- Mão: 14,57%
- Dedo do pé: 10,05%
- Tronco: 9,05%
Manifestações clínicas
- Manifestações locais: 99,50%
- Dor: 100%
- Edema: 9,09%
- Manifestações sistêmicas: 0,50%
Soroterapia
- Uso de soroterapia: 0,50%
- Protocolo de soroterapia: 98,99% (registros para espécies específicas do painel)
Demais animais peçonhentos registrados em Assis
Embora em menor quantidade, os demais animais também apresentaram perfis epidemiológicos relevantes e diferentes entre si.
Abaixo, o resumo dos dados disponibilizados no painel:
Acidentes com serpentes
Assis registrou 7 acidentes com serpentes em 2025, sem óbitos. A maioria envolveu homens acima dos 40 anos, que são também o grupo que mais trabalha ou circula em áreas rurais, segundo especialistas.
Em 7 de cada 10 casos, o atendimento ocorreu em menos de uma hora, o que reduz o risco de complicações. Os pés e as pernas foram as regiões do corpo mais atingidas, o que é esperado em acidentes com serpentes.

Todos os pacientes tiveram dor e parte deles apresentou edema. Soroterapia foi indicada em grande parte das ocorrências, já que o soro antiofídico é o tratamento de referência para esses casos.

Acidentes com abelhas
Foram 23 acidentes envolvendo abelhas, também sem óbitos. A maior parte dos casos atingiu jovens adultos, especialmente na faixa dos 20 a 29 anos, tanto homens quanto mulheres.
A cabeça foi a região mais atingida, o que pode indicar acidentes em atividades externas ou em áreas onde colmeias estavam próximas. Em 4 de cada 5 casos, o atendimento ocorreu em até uma hora.

Todos os pacientes relataram dor, e uma parte apresentou edema. Em geral, acidentes com abelhas não requerem soro e o tratamento é sintomático.

Acidentes com aranhas
Os acidentes com aranhas foram menos frequentes: 3 casos ao longo do ano, sem óbitos. O atendimento demorou mais nesses casos — em 2 de cada 3 registros, a pessoa procurou ajuda apenas após 24 horas, o que pode agravar o quadro dependendo da espécie.

A dor esteve presente em todos os pacientes e o edema em parte deles. Algumas ocorrências apresentaram manifestações sistêmicas, o que ocorre principalmente em acidentes envolvendo aranhas do gênero Loxosceles (aranha-marrom) e Phoneutria (armadeira), que podem exigir soroterapia específica, disponível em Assis.

Complicações
O painel estadual também mostra o que pode acontecer quando o atendimento demora ou quando o tipo de animal provoca quadros mais agressivos.
Entre as principais complicações locais, destacam-se:
- infecção secundária
- déficit funcional
- necrose
- amputação (mais rara)
Já entre as complicações sistêmicas, o choque aparece como o mais grave e frequente nos registros avaliados pelo estado.
Atendimento em Assis
Em Assis, a UPA, na Rua Oscar Luchini, 670, é o único ponto de atendimento autorizado a disponibilizar soros específicos para acidentes por animais peçonhentos.
Estão disponíveis soros para:
- serpentes (jararaca, cascavel e coral)
- aranha-marrom
- aranha-armadeira
- escorpiões
- lonômia (taturana)
A cidade mais próxima com atendimento complementar é Paraguaçu Paulista, pela Santa Casa.

A Vigilância Epidemiológica orienta que, ao ser picado, a pessoa deve manter a calma e procurar a UPA imediatamente, informando o tipo de animal causador do acidente.
Prevenção
Para reduzir riscos, as autoridades orientam:
- Usar calçados e luvas em atividades rurais e jardinagem
- Verificar roupas e calçados antes de usar
- Evitar acúmulo de entulhos
- Manter terrenos limpos e com grama aparada
- Vedar ralos e frestas
- Afastar camas das paredes
- Evitar manipular colmeias e vespeiros — acionar autoridades quando presentes
- Evitar áreas de vegetação densa ao entardecer e amanhecer










