Aos 86 anos de idade, com muita vitalidade e disposição, Geraldo Lopes da Mota é exemplo de que o sonho não acaba, mas sim, adormece por um tempo. Pois, aos 19 anos, o jovem agricultor descobriu o talento da pintura em telas e muito determinado e com vontade de aprender e aperfeiçoar a técnica da pintura se inscreveu em um curso de pintura à distância, à época oferecido pelo Instituto Universal Brasileiro de pintura. A expectativa do retorno com as orientações e correções do Instituto era grande após enviar pelo Correios suas obras.
Porém, o jovem agricultor se casou, teve 7 filhos e com o passar do tempo as responsabilidades foram crescendo e seu sonho sendo deixado para depois, apesar de tentar, quando possível, praticar um pouco da sua paixão, incentivado pela esposa Maria Rodrigues Nucini da Mota. Nessa época, o que conseguia produzir era muito pouco, mas era mostrado com muito orgulho para toda a família. Os elogios não faltavam e as recordações desses momentos junto com os filhos são lembrados até hoje, conforme relata a filha Ana Cristina, uma das responsáveis pela retomada, pelo pai, da prática de expressar o talento e sentimentos na idade mais avançada.
“Quando eu era criança me recordo do meu pai pintando figuras para mostrar para mim e para meus irmãos. Hoje entendo que meu pai amava pintar, aliás, sempre amou pintar. Ele desenhava bois, cavalos e outros animais para mostrar para nós. Na época éramos crianças e não entendíamos a paixão que ele tinha por pintura. Não víamos isso como um sonho dele”, conta a filha.

Mas, a paixão e o talento não morreram para Geraldo. Estavam apenas adormecidos. Isso ficou claro quando em seu aniversário de 80 anos, Ana Cristina e seu irmão mais novo, o Márcio, tiveram a ideia de presentear o pai com telas e tintas.
Na verdade, ela reconhece que não sabia como presentear o pai. Depois de muito pensar, lembrou da paixão pela pintura. “Eu não sabia o que dar a ele de presente, depois de pensar um tempo lembrei de que ele amava pintar e providenciei telas e tintas para ele voltar a fazer isso de forma a ocupar seu tempo e fazer o que gostava quando jovem. Meu irmão Márcio teve a mesma ideia e então a partir desse dia ele nunca mais parou de pintar”, conta Ana.

Mas, aprender e aperfeiçoar a técnica da pintura em telas estavam, de fato, apenas adormecidas em Geraldo, assim como seu sonho. Marcos Maroubo foi, então, nessa nova fase do artista, o professor de pintura que o ajudou com novas técnicas.
Além da alegria de estar fazendo o que ama, Ana destaca que até a saúde de Geraldo melhorou após voltar a praticar pintura. “Com as aulas ele melhorou muito a técnica, veio o reconhecimento de muitas pessoas e sua alta estima ficou alta e consequentemente sua saúde também melhorou”, avalia Ana.
Seus netos gostam muito de suas obras e costumam comprar para presentear amigos e clientes. “E esse é o maior orgulho dele, pois sabe que é reconhecido e seus quadros estão em várias casas do Brasil”, conta a filha.

A família de Geraldo já organizou duas exposições com suas obras; uma em Cândido Mota e outra em Paraguaçu Paulista. Agora, para quem ainda não conhece as obras desse jovem agricultor que cresceu e envelheceu sem abandonar seu sonho, pode acompanhar pelo Facebook o arsenal de obras primas disponíveis para venda, que já somam mais de 70 quadros.











