21 de Outubro de 2020
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Parques na cidade e qualidade de vida: uma importante relação

COLUNISTA - Arildo Almeida

Poucas cidades têm a oportunidade de ter parques. Poucos cidadãos têm o privilégio de ter uma mata no meio da cidade, cercada por ruas e avenidas. Assis tem esse privilégio, aliás, tem cinco: o Eco Lago (antigo Horto Florestal), o Parque Ângelo Ceola (Jardim Paraná), o San Fernando Valley (perto da Chácara Bela Vista), o Parque da Juventude, que fica ao lado de outro parque, o Buracão. Tem ainda o projeto de um sexto parque, o "Francisco Antunes Ribeiro”, na Água da Porca (perto do Terminal Rodoviário). Mas, talvez, os assisenses percam a oportunidade de ter mais essa opção de área verde na cidade e, consequentemente, vão perder em qualidade de vida.

A ideia desse parque nasceu no ano 2000, final da gestão do prefeito José Bolfarini e na qual eu era o secretário de Obras. Nascia ali o sonho de Assis ter um belo parque, nos moldes das grandes cidades. Como era final de mandato, não deu tempo do projeto sair do papel, mas ele ficou ali para os próximos prefeitos. A área ficou abandonada, a tal ponto de pessoas descartarem lixo ali ou se esconder entre as árvores para usar drogas.

Só em 2015, o governo municipal da época olhou para o local e, via o Fundo de Interesse Difuso (FID), conseguiu uma verba de mais de R$ 1,5 milhão para a construção dos equipamentos do parque. Essa verba só foi liberada na gestão atual, do prefeito José Fernandes, e tem que ser usada até dezembro desse ano – se não for utilizada, volta para o governo estadual. Com a liberação da verba, o projeto foi refeito – ali, será um Jardim Botânico, como os que existem em Bauru, Curitiba ou Foz do Iguaçu. E, depois de um estudo realizado pela Secretaria do Meio Ambiente de Assis, foi concedida a outorga do DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica do Estado de São Paulo) e a licença ambiental da Cetesb para que as obras do novo parque fossem iniciadas. E começaram. O lago já existente será preservado, com a área do maciço aumentada para armazenar água em épocas de cheias. Além disso, terá iluminação, uma pista de caminhada (que passará por meio de árvores e plantas da área de preservação permanente), ciclovia, equipamentos de esporte e lazer, local para receber visitantes, estufas e um centro de educação ambiental. Nada será destruído, não serão retiradas as árvores e plantas, e sim, integrado e reaproveitado o que já existe com o que será instalado, tornando a área segura, aberta e iluminada para a população ter e aproveitar mais essa opção de lazer na cidade.

E tudo isso seria entregue para os assisenses até dezembro. Seria, se não fosse uma ação do Ministério Público via Gaema (Grupo Especial de Defesa do Meio Ambiente), contra a Cetesb. Essa ação paralisou as obras do novo parque. O Gaema alega que a "Cetesb concedeu autorização para o parque em área ambiental permanente sem prévio estudo de alternativa técnica para implantação do empreendimento, o que caracteriza infração ao Código Florestal, que estabelece na necessidade de estudo de alternativa técnica para intervenção em área de preservação permanente, seja por interesse social ou utilidade pública”. Lembrando que a verba para o parque está disponível até dezembro.

A reflexão que faço hoje é que podemos melhorar nossa relação com a natureza e ninguém quer isso acabando com matas existentes. Temos orgulho de ter o Parque Buracão, com todas as suas árvores e plantas, no meio da cidade. Temos orgulho do Eco Lago e dos outros três parques em Assis. E queremos mais. Queremos ter um Jardim Botânico, sim. Queremos que as pessoas que passam por Assis se lembrem dela por muitas coisas boas, principalmente pela qualidade de vida dos seus moradores. E os parques são áreas verdes que podem trazer essa qualidade de vida para a população, porque proporcionam contato com a natureza. Quando um parque tem estrutura adequada e atrativa e qualidade ambiental, as pessoas se animam, começam a passear por ele, fazer atividade física. E todo mundo sabe que isso faz bem para o físico, para o psicológico e para o social.

Assis tem cinco parques públicos e todos têm identidade com a cidade e com a população. E quer mais um; quer o Parque "Francisco Antunes Ribeiro”, com toda sua natureza, beleza e estrutura para o deleite dos assisenses.

Bom dia, Assis!!!

*Colaborou Andreia Alevato
Divulgação
Arildo Almeida
Arildo Almeida é arquiteto formado pela Universidade de Taubaté (UNITAU) e o atual presidente da Fundação Educacional do Município de Assis (FEMA).
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