Na manhã desta quinta-feira, 2 de abril, o Portal AssisCity entrou em contato com a defesa de Luís Fernando Silla de Almeida após a repercussão da notícia sobre o laudo psiquiátrico que declarou o réu inimputável — ou seja, sem capacidade de entender o caráter ilícito de seus atos no momento do crime, o que o impede de ser julgado pelo Tribunal do Júri e de receber pena convencional.
Em resposta, as advogadas Dra. Isabella Maria Spadin e Dra. Victoria Cristina Pache, juntamente com a perita judicial e assistente jurídica Hilana Zanela, enviaram uma nota oficial de esclarecimento à imprensa e à sociedade.
Terceiros envolvidos?

Um dos pontos que mais chamaram a atenção na nota é a afirmação de que existem no processo diversos laudos produzidos por peritos e especialistas que analisaram detalhes técnicos e as condições físicas do acusado — e que esses exames científicos não confirmam tudo o que tem sido divulgado publicamente sobre o caso. Segundo a defesa, os dados obtidos indicam que é necessário investigar melhor se outras pessoas podem estar envolvidas no crime.
Diante disso, o Portal AssisCity questionou se essas evidências que apontam para um possível terceiro envolvido já estavam no processo desde o início ou se surgiram ao longo da investigação — e também se a defesa acredita que outra pessoa possa ter cometido os crimes e imputado a culpa a Luís Fernando, eventualmente se aproveitando de sua condição psiquiátrica. A reportagem também perguntou quais tipos de provas a equipe busca para sustentar essa hipótese.

LEIA TAMBÉM: Defesa solicita exame de sanidade e júri de Luiz Fernando é suspenso
A defesa não respondeu a nenhum desses questionamentos de forma direta. Na nota, limitou-se a reforçar que as informações disponíveis não se tratam de meras “versões”, mas de provas técnicas e científicas produzidas por profissionais qualificados. Parte desses documentos, segundo as advogadas, está sob sigilo judicial e ainda não pode ser divulgada. A equipe afirma estar trabalhando de forma intensa na busca por novos elementos, garantindo que tudo será apresentado no momento adequado e dentro das regras éticas e processuais.
Presunção de inocência

Outro ponto destacado na nota é o princípio da presunção de inocência. A defesa lembrou que, de acordo com a lei brasileira, ninguém pode ser considerado culpado antes do encerramento do processo, e que o caso ainda está em andamento, com todas as etapas precisando ser devidamente respeitadas. A equipe encerrou o documento reafirmando que sua atuação seguirá firme, baseada na responsabilidade, na técnica e no compromisso com a justiça.
Ao ser questionada sobre os demais pontos levantados pela reportagem, a advogada informou que, no momento, o que pode ser dito está contido na nota enviada. Todas as questões permanecem, por ora, sem resposta.
Relembre o caso
Matheus Bernardo Valim de Oliveira desapareceu em 11 de dezembro de 2024, após sair de casa para andar de bicicleta em Assis. Imagens de câmeras de segurança o mostraram seguindo com um homem em uma bicicleta cargueira, o que levou as investigações até Luís Fernando Silla de Almeida, vizinho e conhecido da família.

Após seis dias de buscas, partes do corpo da criança foram encontradas em um córrego próximo à Vila Tênis Clube. Luís Fernando chegou a confessar o crime, mas posteriormente alterou sua versão, atribuindo o assassinato a outra pessoa.
A denúncia do Ministério Público incluiu os crimes de homicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa e por se tratar de crime contra criança —, estupro de vulnerável, vilipêndio e ocultação de cadáver, e fornecimento de bebida alcoólica a menor. Até o momento, partes do corpo de Matheus, incluindo a cabeça, não foram localizadas.
O laudo psiquiátrico que declarou Luís Fernando inimputável foi homologado junto ao processo na última terça-feira, 31 de março. O exame havia sido realizado em 6 de fevereiro, pelo médico perito Dr. Ricardo Baccarelli Carvalho, credenciado pelo IMESC, e concluiu que o réu apresenta quadro compatível com Esquizofrenia — F20 (CID-10). Com isso, o caso segue aguardando o posicionamento do Ministério Público, sem decisão judicial definitiva até o momento.










