A família de Carlos Eduardo Silva, morador do distrito de Padre Nóbrega, em Marília, vive uma angústia desde que descobriu que os restos mortais do homem, sepultado em 2018, podem ter sido colocados no local errado. Ao visitar o túmulo, os familiares encontraram uma lápide com o nome de outra pessoa, Sebastiana, que morreu um ano antes de Carlos. A informação foi revelada em entrevista à TV TEM e publicada pelo portal G1.
Na tentativa de entender o que aconteceu, a família verificou os recibos do sepultamento entregues na época. Um deles indicava que Carlos havia sido sepultado na quadra 31, chapa 41. Outro documento, também datado de 2018, apontava a mesma quadra, mas na chapa 45. A inconsistência passou despercebida na ocasião, mas agora se mostra central para a confusão.
Diante da situação, a família acionou a Justiça, que autorizou a exumação de dois túmulos próximos. No entanto, segundo o advogado da família, Vittor Gabriel Gomes Corrêa, em vez dos restos mortais de Carlos, foram encontrados os restos de duas mulheres.

Em entrevista à TV TEM, o funcionário do cemitério Arnaldo Yegros afirmou que a confusão pode ter começado com um erro do pedreiro responsável pela construção do túmulo de Sebastiana. “O pedreiro deve ter passado lá no escritório e falado: ‘É a chapa 45’. Ele veio aqui e fez, mas não é, ele errou”, explicou.
Segundo Arnaldo, o problema se agravou pela precariedade dos registros do cemitério. “É tudo feito manualmente. Informações que nós temos são de 1977 para cima. É como eu falei, o cemitério é bem antigo, é de 1930”, disse. Todos os registros são mantidos em um caderno, sem cópia digital ou controle informatizado. Isso contribuiu para que, mesmo nos registros oficiais do cemitério, Carlos e Sebastiana aparecessem como sepultados no mesmo local.
O advogado da família relatou ao G1 que até o momento nenhum representante legal ou administrador do cemitério entrou em contato com ele. “Toda a conversa foi feita com os responsáveis que estão no cemitério mesmo: os próprios coveiros e o gerente. Na percepção jurídica, é um tipo de processo que não tem uma lei específica. A gente se baseia mais na questão do dano material e do dano moral da família”, explicou Vittor Gabriel.
A filha de Carlos, Patrícia Eduarda da Silva, desabafou sobre o impacto emocional da situação. “A gente fica até meio sem palavras para poder falar, porque não foi fácil para a família. Chegamos lá e nos deparamos com outra pessoa no lugar. É um descaso com o ser humano. O meu pai é uma pessoa que a gente quer prestar sempre uma homenagem. Queremos justiça”, afirmou à TV TEM.
Em nota enviada ao G1, a Empresa Municipal de Mobilidade Urbana (Emdurb), responsável pela administração do cemitério, informou que tem auxiliado as famílias dentro dos limites legais. Sobre os registros, a empresa disse que está estudando formas de modernização para evitar novos erros. A Prefeitura de Marília também declarou que o sistema atual, utilizado há décadas, será revisto e provavelmente informatizado.
Enquanto isso, a família aguarda uma nova autorização judicial para exumar outro túmulo, onde esperam, enfim, encontrar os restos mortais de Carlos.










