O Portal AssisCity conversou nesta terça-feira, 26 de maio, com Júlio de Oliveira, irmão de José Roberto de Oliveira Novaes, de 58 anos, morador de Pedrinhas Paulista, que morreu no último sábado, 23 de maio.
Segundo relato da família, José Roberto procurou atendimento médico em Pedrinhas Paulista após sentir dores abdominais, no peito, suor frio e mal-estar. Conforme o irmão, o paciente possuía marca-passo e teria sido encaminhado rapidamente pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) para a realização de um exame de raio-x na Unidade de Pronto Atendimento de Assis (UPA).
De acordo com Júlio, a família acredita que houve negligência durante o atendimento na UPA, afirmando que José Roberto não tinha condições físicas de permanecer em pé para realizar o exame de raio-x. “Minha cunhada avisou que ele não tinha condições de ficar em pé, mesmo assim insistiram. Ele caiu de costas e bateu a cabeça”, relatou.

O irmão relatou ainda que José Roberto permaneceu durante todo o dia na UPA sendo posteriormente transferido pelo SAMU para o Hospital Regional porém já sem sinais vitais. “O Regional não quis assumir a responsabilidade porque o fato não aconteceu lá dentro. Quando ele chegou lá, já estava em óbito”, afirmou.
Segundo a família, quando José Roberto chegou o Hospital Regional teria solicitado inicialmente o acionamento da Polícia Militar para registro da ocorrência, mas posteriormente também pediu a presença da Polícia Civil e da perícia criminal para apuração do caso.
O corpo foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) e o Assiscity ainda não teve acesso ao laudo. “Ele não morreu de causas naturais. A gente entende que foi uma irresponsabilidade e um despreparo profissional. Isso pode acontecer com outras famílias também”, declarou Julio, irmão de José Roberto que faleceu.
Após os procedimentos legais e periciais, o corpo foi liberado somente no domingo à tarde. De acordo com a família, o velório aconteceu na noite de domingo e o sepultamento precisou ser realizado logo na manhã seguinte devido às condições do corpo. “Se tivesse sido um infarto ou uma morte natural, a gente aceitaria. Mas da forma como aconteceu, ninguém aceita. Esperamos que a Justiça seja feita”, disse Júlio.

Prefeitura de Assis se manifesta
O Portal AssisCity entrou em contato com a Prefeitura Municipal de Assis, responsável pela gestão da UPA, que informou por meio de nota que não houve indícios de negligência: “Durante a realização do exame radiológico o paciente caiu e a equipe médica foi imediatamente acionada sendo constatada parada cardiorrespiratória no momento da avaliação inicial. Foram prontamente iniciadas manobras de reanimação cardiopulmonar, com retorno da circulação espontânea após aproximadamente 40 segundos.
Na sequência, o paciente foi encaminhado à sala de emergência, onde recebeu atendimento intensivo. Conforme relato do médico emergencista, o paciente já apresentava condição clínica comprometida desde a admissão, evoluindo com piora progressiva. Houve necessidade de uso de adrenalina. Observou-se abdômen distendido, conforme devidamente registrado em prontuário médico.
No que se refere à regulação, a primeira solicitação de transferência foi realizada por volta das 20h46. Posteriormente, às 23h29, foi efetuado novo contato por meio de canal prioritário (“linha vermelha”), reiterando a necessidade de transferência do paciente. A equipe do SAMU chegou à unidade aproximadamente à meia-noite, realizando a remoção do paciente ainda com sinais vitais presentes.
Ressalta-se que, em situações de óbito, a transferência é automaticamente suspensa, e que a avaliação das condições de transporte é de competência exclusiva da equipe do SAMU, que, neste caso, optou pela remoção do paciente.
De acordo com informações fornecidas pela unidade de destino (hospital regional), o paciente deu entrada já em óbito, sendo plausível a ocorrência de nova parada cardiorrespiratória durante o transporte.
Por fim, esta unidade reforça que o paciente foi transferido com sinais vitais presentes, após receber toda a assistência necessária, tanto pela equipe médica da porta quanto pela equipe de emergência”, diz a nota.
O Portal AssisCity entrou em contato com a Secretaria Estadual de Saúde e CEJAMM, responsáveis pelo Hospital Regional de Assis e com o CIVAP, responsável pelo SAMU, mas até o momento não teve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

