Na década de 1980, quando surgiu, a Aids apavorou o mundo e o vírus HIV, transmissor da doença, dizimou os chamados “grupos de risco”, principalmente os homossexuais. Entretanto, após 34 anos após o seu aparecimento, a Aids mudou de configuração e já não ameaça mais os grupos de riscos, e sim os “comportamentos de riscos”.
De acordo com Maria do Carmo Paes Ferreira Coelho, coordenadora do Grupo Integrado de Prevenção às DSTs, HIV/Aids e Tuberculose (Gipa), hoje o comportamento de risco é algo preocupante para os setores de saúde que atuam diretamente com a Aids, envolvendo os mais variados extratos da pirâmide social. “É possível observar um aumento na incidência da doença neste comportamento de risco. Há um aumento bem acentuado entre homens, principalmente jovens, e aqueles da Terceira Idade”, ressaltou.
Diante disso, o Gipa vem desenvolvendo um trabalho sobre este “comportamento de risco”, alertando este segmento da população sobre os riscos de serem acometidos pelo vírus HIV. “Muitos confiam em seus parceiros imaginando que não correm riscos de contrair o vírus. Entretanto, muitos deles são acometidos pelo vírus justamente por não se prevenirem”, diz Maria do Carmo. Ela lembra que as pessoas têm conhecimentos profundos sobre o risco da Aids e um exemplo disso é que o Ministério da Saúde distribuiu dois milhões de preservativos neste período de Copa do Mundo no Brasil. “Porém, as pessoas ignoram o risco de ser acometidas pelo vírus”, conta.
CERCA DE 240 CASOS – De acordo com Maria do Carmo, o Gipa contabiliza hoje aproximadamente 240 pessoas com o vírus HIV em Assis. Entretanto, há aqueles que procuram os serviços oferecidos pelo Hospital Regional e mesmo aqueles que utilizam os convênios particulares. “Por isso, entendemos que estes números são ainda maiores, justamente porque não temos acesso aos mesmos”, lembrou.
Para atender todas as pessoas infectadas pelo vírus HIV, o Gipa conta com uma equipe multidisciplinar formada por psicóloga, assistente social, farmacêutica e realiza parcerias com as faculdades do município com o objetivo de proporcionar um bom atendimento àqueles que estão com a doença.
O Gipa conta com dois órgãos que prestam toda a assessoria necessária para as pessoas acometidas pela doença. Um deles é o Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA) e o outro é o Serviço de Assistência Especializada (SAE). “Com estes dois órgãos, oferecemos todo o apoio necessário às pessoas. Este tratamento é sigiloso e a pessoa nunca é exposta. Ao contrário, o acompanhamento é feito com a maior discrição possível”, observou.
Ao se constatar que a pessoa está com o HIV, Maria do Carmo lembrou que o Gipa, além do próprio acompanhamento psicológico, oferece toda a estrutura ambulatorial do órgão, com a entrega dos medicamentos necessários para que a pessoa possa ter uma vida normal. Ela diz que a pessoa com HIV vive bem e tem uma boa qualidade de vida. “O objetivo é que a pessoa sinta que tem o apoio do Gipa, tendo o acompanhamento necessário, e deixe de infectar outras pessoas”, destacou.

Maria do Carmo Paes Ferreira Coelho, coordenadora do Grupo Integrado de Prevenção às DSTs, HIV/Aids e Tuberculose (Gipa)










