A categoria dos entregadores por aplicativo anunciou uma paralisação nacional nos dias 31 de março e 1º de abril, e a cidade de Assis também fará parte do movimento. O objetivo é reivindicar melhores condições de trabalho, reajuste das taxas de entrega e reconhecimento da profissão. O Portal AssisCity entrevistou um grupo de motoboys da cidade que explicou as razões da paralisação e destacou o empenho de todos os profissionais em fazer um protesto pacífico.

Movimento acontecerá entre os dias 31 de março e 1º de abril e busca conscientizar a sociedade sobre as dificuldades enfrentadas pelos entregadores - Foto: Imagem enviada ao Portal AssisCity - Imagem enviada ao Portal AssisCity

Segundo os entregadores, a paralisação busca chamar a atenção para os valores defasados pagos pelas plataformas de delivery e as condições difíceis enfrentadas diariamente. “Em um aplicativo aqui da cidade, a entrega mínima é de R$ 5,50, podendo chegar a R$ 6 em dias de chuva. Enquanto isso, a gasolina subiu, o custo da manutenção das motos aumentou, e o nosso pagamento continua o mesmo. A gente trabalha, trabalha, e não vê o dinheiro, porque está tudo caro e não há reajuste”, desabafou um dos motoboys entrevistados.

Além da questão financeira, os entregadores destacaram a necessidade de melhorias nas condições gerais de trabalho. Eles mencionaram que, muitas vezes, enfrentam jornadas longas sob sol e chuva e não têm acesso a locais de descanso, banheiros ou até mesmo água. “Tem estabelecimento que não deixa você usar o banheiro ou tomar água, a não ser que você seja cliente. E nós estamos ali, na rua, o dia inteiro, seja 3 horas da manhã ou 7 horas da manhã, sempre trabalhando. Queremos ser reconhecidos e respeitados”, reforçaram.

Paralisação será em nível nacional - Foto: Divulgação - Divulgação

Paralisação pacífica e busca por diálogo

Os motoboys de Assis planejam se reunir em um antigo posto desativado, em frente ao McDonald”s, para concentrar o movimento. O objetivo é conversar com outros entregadores que pretendam continuar trabalhando e conscientizá-los sobre a importância de aderir à paralisação. “Queremos que seja tudo pacífico. Não vamos forçar ninguém a parar, mas queremos dialogar e expor os nossos pontos de reivindicação para fortalecer a categoria”, explicaram.

A adesão à greve é facultativa, mas os organizadores esperam contar com o apoio de todos, seja participando presencialmente do protesto ou simplesmente deixando de ativar os aplicativos nos dias 31 de março e 1º de abril. O grupo já reúne cerca de 147 pessoas em desacordo com as condições atuais e espera mobilizar ainda mais profissionais.

Reivindicações principais

Os entregadores de Assis destacaram algumas das melhorias que buscam com a paralisação:

Reajuste das taxas de entrega: Os valores pagos pelas plataformas estão defasados e não acompanham o aumento dos custos.

Reconhecimento da profissão: A categoria reivindica maior valorização e visibilidade, considerando o papel essencial dos motoboys para a população.

Ponto de apoio para descanso e conforto: Os entregadores pedem um espaço adequado onde possam descansar, usar o banheiro e se alimentar com dignidade.

Os entregadores também citaram que algumas cidades já firmaram parcerias com órgãos públicos e empresas de delivery, como o iFood, para criar pontos de apoio aos profissionais. Eles esperam que Assis siga esse exemplo e ofereça mais suporte à categoria.

Convite aos estabelecimentos

A paralisação não é apenas um protesto, mas também um convite à conscientização. Os entregadores estão abertos a dialogar com a sociedade e com os lojistas que queiram entender melhor os motivos da paralisação. “Se algum entregador estiver em dúvida sobre a causa ou se algum comerciante quiser conversar, estaremos à disposição para explicar nossas reivindicações. O que queremos é melhorias para todos”, concluíram.

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