Apontado como um dos principais investigados pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis, o servidor municipal Leonardo Gonçalves Gabrigna prestou depoimento na manhã desta terça-feira, 30 de junho, na Câmara Municipal de Assis. Durante mais de uma quarenta minutos de oitiva, ele respondeu aos questionamentos dos vereadores sobre o funcionamento do sistema de abastecimento da frota da Secretaria Municipal da Saúde e apresentou sua versão para os abastecimentos considerados suspeitos pela comissão.
Embora ocupasse oficialmente o cargo de motorista, Leonardo é apontado pela CPI como o servidor que atuava na coordenação do setor de transportes da Saúde, organizando escalas e realizando procedimentos relacionados ao abastecimento da frota.
Um dos principais pontos do depoimento foi a confirmação de que, quando os cartões da empresa LinkCard apresentavam falhas, os veículos eram abastecidos normalmente e os pagamentos eram regularizados posteriormente por meio de um sistema informal de “notinhas”.
“Depois ia lá acertar”
Questionado pelo presidente da CPI, vereador Fernando Sirchia, sobre como funcionava esse procedimento, Leonardo explicou que, quando o cartão não autorizava o abastecimento, o motorista realizava a viagem normalmente para não prejudicar pacientes que precisavam de atendimento fora do município.
Segundo ele, os abastecimentos ficavam pendentes até que fosse possível regularizá-los. “Depois ia lá acertar”, respondeu o servidor ao explicar que, em diversas situações, os próprios motoristas retornavam ao posto para efetuar o lançamento utilizando seus cartões e senhas.
Leonardo afirmou ainda que ele próprio também realizou esse procedimento em algumas ocasiões.
Durante a oitiva, o presidente da CPI destacou que esse modelo colocaria em dúvida os mecanismos de segurança apontados pela Prefeitura no sistema da LinkCard, já que os abastecimentos poderiam ser registrados posteriormente, e não necessariamente no momento em que o combustível era fornecido.
Desbloqueio era solicitado à Secretaria de Obras
Outro ponto abordado foi o bloqueio dos cartões por inconsistências na quilometragem registrada.
Leonardo afirmou que, quando isso acontecia, o procedimento era entrar em contato com Matheus Cunha, da Secretaria Municipal de Obras, que realizava o desbloqueio do sistema.
Segundo o servidor, ele não sabe quais verificações eram feitas antes da liberação dos cartões. “A gente entrava em contato com o Matheus… Só liberava”, respondeu durante o depoimento.
Ele também declarou que nunca tratou dessas questões com seu irmão, Leandro Gabrigna, secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, afirmando que todos os contatos relacionados ao sistema eram feitos diretamente com Matheus Cunha.
Abastecimento de ambulância em outra cidade
A CPI também questionou Leonardo sobre um abastecimento realizado em 9 de setembro de 2025, registrado por sua senha eletrônica em uma ambulância que, segundo livros de viagem analisados pela comissão, estaria em outro município naquele horário.
Ao responder, Leonardo afirmou que o registro seria consequência justamente do sistema utilizado para regularizar abastecimentos pendentes.
Segundo ele, o abastecimento teria ficado “para trás” porque o cartão não funcionou no momento da viagem e foi lançado posteriormente.
Questionado se possuía documentos ou notas que comprovassem essa situação, respondeu que não. “Depois que fazia o acerto, já rasgava tudo e jogava fora”, afirmou ao explicar que as notas utilizadas para o controle informal não eram arquivadas.
Nega acesso às senhas de outros motoristas
Durante a oitiva, Leonardo também negou ter acesso às senhas de abastecimento dos demais motoristas.
A afirmação contrasta com o depoimento prestado anteriormente pelo servidor Hamilton Marcelo, que declarou à CPI acreditar que Leonardo tinha acesso à sua senha e afirmou que seu cartão foi utilizado enquanto ele estava afastado por licença médica.
Questionado sobre esse ponto, Leonardo respondeu que nunca utilizou a senha de outros servidores.
Abastecimentos durante férias
Outro tema abordado pelos vereadores foi a existência de abastecimentos registrados com sua senha durante o período em que estaria de férias.
Leonardo afirmou que, embora oficialmente estivesse em férias, costumava continuar trabalhando na Secretaria da Saúde. “Minhas férias sempre foi trabalhando na Secretaria da Saúde”, afirmou aos membros da comissão.










