Desde a meia-noite desta terça-feira, 10 de março, a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Assis passou a ser administrada por uma nova empresa contratada pela Prefeitura. A gestão agora é responsabilidade da empresa de Eder Hideki Pontes, em um contrato maior a R$ 21 milhões.
O novo acordo marca o fim da gestão da Santa Casa de Assis, que esteve à frente da unidade durante um ano. O contrato foi publicado no Diário Oficial do município na última quinta-feira, dia 5, e tem valor cerca de R$ 7 milhões maior do que o firmado com a Santa Casa em março do ano passado.
A reportagem do Portal AssisCity esteve na UPA na manhã desta terça-feira, dia 10, para acompanhar as primeiras horas da transição entre as gestões. Apesar do grande número de pacientes aguardando atendimento, o processo ocorreu de forma tranquila. Integrantes do Conselho Municipal de Saúde também estiveram no local para fiscalizar o início dos trabalhos da nova empresa.

Cátia Auxiliadora Ribeiro, presidente do conselho, explicou que a visita teve como objetivo verificar se os serviços previstos no contrato estavam sendo efetivamente disponibilizados. “Estamos aqui para verificar in loco como está sendo esse processo. O que a empresa está trazendo dentro do contrato emergencial e se os profissionais pactuados realmente estão presentes”, afirmou.
Segundo ela, foi possível constatar a presença de profissionais previstos no contrato, como pediatra, assistente social, fisioterapeuta e farmacêutico. Outro ponto destacado foi a presença do chamado “médico de porta”, responsável por atender pacientes classificados na linha azul, considerada de menor gravidade, com o objetivo de reduzir o tempo de espera.
“Nós observamos uma UPA lotada, com muitos pacientes da linha azul, que poderiam estar sendo atendidos na atenção básica. Esse médico vai ajudar a fazer esse atendimento e a assistência social está realizando a contrarreferência para as unidades”, explicou.
A representante do conselho também destacou que o órgão continuará acompanhando o processo de transição e cobrará da nova gestora a apresentação de um plano de trabalho.
“Pedimos para a secretaria e para a empresa contratada que seja apresentado ao Conselho Municipal de Saúde, na próxima reunião de abril, um plano de trabalho e um diagnóstico situacional da UPA. Precisamos disso para fiscalizar, cobrar e pactuar o atendimento junto com a secretaria e a gestora”, afirmou.
O vereador Lucas Gomes também esteve na unidade e afirmou que a Câmara Municipal acompanha de perto a transição, principalmente por causa do valor do contrato. “Viemos verificar, porque trata-se de R$ 21 milhões. Estamos observando se todos os profissionais estão trabalhando e, neste momento, temos pediatra, quatro clínicos gerais, assistente social, psicólogo e fisioterapeuta. Isso é positivo”, afirmou.
Ele também ressaltou a expectativa de melhoria no atendimento da unidade. “Queremos que a população tenha um novo tempo na UPA de Assis. Esse local já foi de muito sofrimento e angústia. Esperamos que agora a população seja bem atendida e acolhida com esses serviços adicionais”, disse.
Durante a visita, o vereador confirmou que funcionários da limpeza e do setor administrativo foram deslocados de unidades da atenção básica para atuar provisoriamente na UPA, o que gerou preocupação. “As unidades básicas de saúde já tem deficiência de servidores, e foram trazidos para cá. Vemos isso como falta de planejamento da prefeitura”, afirmou.
Segundo Lucas Gomes, a Câmara deve cobrar a convocação de aprovados em concursos públicos para suprir a demanda.
Em entrevista a um veículo de imprensa da cidade, a prefeita Telma Spera afirmou que principal objetivo do novo contrato prevê é reduzir o tempo de espera.
“É uma UPA 2, que atende além de Assis, outros municípios da região, como Pedrinhas Paulista, Tarumã, Florínea e Platina. Nós aumentamos o número de médicos, são inserções que fizemos e que, inclusive, fogem do modelo da UPA tradicional. Estamos praticamente fazendo um sinergismo entre a rede de urgência e emergência e uma unidade básica de saúde, pensando principalmente na redução do tempo de espera”, declarou.
Contrato também foi tema na Câmara
A contratação da nova empresa também gerou debate na Câmara Municipal de Assis durante a sessão desta segunda-feira, dia 9. Na ocasião, o vereador Reinaldo Nunes questionou o valor do contrato e afirmou que a empresa possui processos judiciais.
“Quero entender como a prefeitura rompe um contrato com a Santa Casa, que fazia toda a gestão da UPA por R$ 14 milhões, e contrata uma empresa por R$ 21 milhões para um serviço menor. Isso é 50% a mais”, declarou.
Segundo ele, a Santa Casa era responsável por todos os serviços da unidade, incluindo contratação de profissionais, limpeza, manutenção e funcionamento geral da UPA.










