Neste domingo, dia 10 de agosto, é celebrado o Dia dos Pais, e para Alecsandro Casagrande Pontes e Leandro Henrique Augusto, moradores de Paraguaçu Paulista, a data ganha um significado ainda mais especial neste ano. Após mais de uma década de relacionamento, o casal concretizou o sonho de formar uma família e oficializou a adoção de três irmãos — Moisés, Miguel e Mayara — com idades entre 2 e 10 anos.

A história começou há 12 anos, quando Alex e Lê se conheceram pela internet, na época do Orkut. “Ele morava em Abatiá, no Paraná, e eu em Paraguaçu. Ficamos um ano conversando até o dia em que ele veio me conhecer. Desde então, nunca mais nos separamos”, contou Alex ao Portal AssisCity.

Alecsandro Casagrande Pontes e Leandro Henrique Augusto – Foto: Divulgação

O desejo de ter filhos surgiu cedo, mas a realidade impôs um ritmo mais lento. “Quando completamos dois anos juntos, fizemos um curso preparatório para adoção, mas entendemos que ainda não tínhamos estrutura. Morávamos de aluguel, em uma casa com dois cômodos, sem quarto para crianças e com renda instável”, relembra. “Foi importante entender que adotar não é só querer. É preciso estar pronto emocionalmente e estruturalmente.”

Enquanto amadureciam a ideia, o casal se estabilizou financeiramente. Alex começou vendendo DVDs e, com esforço, alugou uma banca no camelódromo da cidade, onde ganhou o apelido de “Alex da banquinha”. Com o tempo, expandiram o negócio, compraram um carro, saíram do aluguel e construíram a casa própria, já com quartos prontos para receber os futuros filhos.

Dez anos após o primeiro curso, Alex e Lê decidiram retomar o processo de adoção. Refizeram a formação obrigatória, passaram por entrevistas, avaliações de psicólogos e assistentes sociais, e finalmente foram incluídos no Sistema Nacional de Adoção (SNA). “Optamos por adotar grupo de irmãos de zero a 11 anos. Quase ninguém quer adotar irmãos, ainda mais maiores de idade, mas a gente sempre sonhou com três filhos, sendo um menino e uma menina.”

O casal passou por todo o proesso de adoção até chegar nos irmãos Moisés, Miguel e Mayara – Foto: Divulgação

A resposta veio em apenas três semanas. O perfil de três irmãos disponíveis para adoção em uma cidade a cerca de três horas de Paraguaçu coincidiu com o deles. “Foi emocionante. Recebemos as fotos das crianças e chorei muito. Mesmo sem conhecê-los pessoalmente, o sentimento era de que já éramos uma família.”

O primeiro encontro aconteceu no fórum da cidade onde os irmãos viviam no dia 27 de abril de 2023. “Passamos a tarde com eles e, na despedida, foi difícil. Choramos muito. Foi amor à primeira vista”, conta. A partir dali, iniciou-se o processo de aproximação, com visitas frequentes acompanhadas por psicólogos e assistentes sociais. “Chegamos a deixar nossa vida em Paraguaçu de lado e passamos uma semana na cidade deles para intensificar o vínculo”, lembrou.

A aproximação coincidiu com o Dia das Mães e o casal se preparava para retornar à rotina sem os filhos quando receberam a notícia: a juíza havia assinado a guarda provisória. “Foi numa sexta-feira, às 11h30 da manhã. Íamos voltar ao meio-dia. Ou seja, passamos o Dia das Mães com nossos filhos na nossa casa. Foi mágico.”

A convivência trouxe desafios. “Nos três primeiros meses, tudo é uma lua de mel. Depois disso, vêm os testes, os limites. As crianças vieram sem uma rotina de organização e de cuidados básicos. Precisamos ensinar tudo do zero. Não foi fácil, mas foi abençoado”, disse à reportagem.

O processo de adoção foi longo, em razão da necessidade de destituição do poder familiar dos pais biológicos. Só após essa etapa judicial, foi possível dar prosseguimento à adoção definitiva, que foi concluída no último dia 24 de julho, há menos de 20 dias do Dia dos Pais. Os filhos já possuem o novo registro com os sobrenomes dos pais.

Hoje, Moisés, Miguel e Mayara estão plenamente integrados à nova família. “Eles vão na casa dos avós, têm relação com os tios, com os amigos. A nossa família nos acolheu desde o começo. Nunca houve rejeição. Sempre fomos abraçados com amor”, contou.

O casal enfatiza que a adoção não é um gesto de caridade, mas a realização de um sonho. “Sempre quisemos formar uma família. Hoje, temos paz, alegria e muito amor dentro de casa. Foi tudo muito planejado, esperado e vivido com intensidade”, finalizou Alex.

E é com a mesma fé que os guiou até aqui que Alex deixa um recado aos filhos — e a quem quiser ouvir:
“O ensinamento que quero deixar pra eles é de que: tenham fé. Fé na vida, fé neles mesmos e fé em dias melhores — mesmo quando parecer difícil. Nunca deixem que a esperança se apague, porque ela é a luz que guia mesmo nas noites mais escuras.

E acima de tudo, acreditem no amor. Em todas as formas de amor. O amor que cuida, que acolhe, que respeita, que transforma. O amor que constrói família além do sangue, que é escolha, presença e entrega. Deus existe e a cada dia escreve uma nova história pra todos nós.”

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