Novas eleições municipais e a velha política

*Henrique H. Belinotte Já se disse por aí que feio é perder eleição. Também que não existem santos ou inocentes na política. E que não se faz política com amor e sonhos impossíveis, mas com políticos experientes e conhecedores de como obter o voto do eleitor.

No entanto, é obvio que política não é só isso. Ela é feita também de expectativas, de confiança, de muitos outros fatores subjetivos.

É fato que as formações sociais a partir de uma ótica humanizadora passam longe do atual processo eleitoral, e também das instituições políticas da democracia representativa moderna.

Em outubro deste ano, acontecerá mais uma eleição municipal. O que se vê, na realidade, é o trabalho de se empacotar o candidato para a clientela eleitoral. Os conhecidos “marketeiros”, reúnem um punhado de estatísticas e alguns manuais de eleição, que mais parecem planilhas de produção em uma linha de montagem e saem para o trabalho.

O que se observa, atualmente é que ao invés de militantes empenhados por uma causa, como acontecia, por exemplo com o PT no seu início, vê-se cabos eleitorais pagos trabalhando feitos robôs, distribuindo santinhos num espetáculo minguado e estático. Além da poluição causada, os efeitos desse trabalho são duvidosos.

De outro lado, ao invés de candidatos, vê-se mercadorias em forma de gente. No final da linha de produção, está um ser humano mutante, um candidato que mal se conhece frente aos arranjos da metamorfose eleitoreira, mas com os votos necessários para subir ao poder e reproduzir o ritual miserável do pragmatismo eleitoral.

E o povo? Miserável povo. Sem a tão necessária reforma política e refém de um modelo político sustentado sob o corporativismo e a ditadura do poder econômico, se tornam vítimas frágeis para os lobos do poder, que usam de dentaduras, botinas e cestas básicas para ganhar o voto do cidadão.

Um fato é certo, ou seja, no Brasil não se vota com a cabeça, mas sim com o bolso e o estômago.

Vive-se a hegemonia da “pequena política”, ou seja, aquelas conversinhas de corredor, as fofoquinhas, os acordinhos de gabinete. Prova disso é o noticiário do dia-dia, concentrado em saber quem apóia quem, qual candidato está na frente na pesquisa, onde o partido tal tem mais votos, em qual classe ele precisa subir nas estatísticas.

Esta é a arte da ciência política, ou seja, a arte de analisar a corrida de cavalos que virou as eleições. Esta é a arte da pequena política. A política que não muda a vida coletiva e que mantém intactos os grandes problemas estruturais da nação.

Há indignação da população, de ver que são sempre os mesmos candidatos e que eles não abrem a oportunidade para que outras pessoas de outros partidos surjam. Não deixam que novas lideranças despontem. É importante que pessoas que ainda não participaram da política, comecem a participar.

Então, como mudar este trágico cenário?

Primeiro há necessidade de uma profunda reforma política. Contudo, o triste paradoxo consiste no fato de que para se reformar o modelo político brasileiro precisa-se do aval parlamentar daqueles que definitivamente não querem mudar nada. Que mandam e desmandam neste país e que não admitem uma nova política e o surgimento do homem novo, com a mentalidade de não lesar o patrimônio publico, mas de permitir que a população tenha o mínimo necessário para a sua sobrevivência.

E a conclusão é única, ou seja, enquanto as mudanças não virem de baixo, da própria consciência popular, estar-se-á pregando a existência do ilusório homem novo na velha e carcomida política.

Henrique H. Belinotte – advogado do Escritório Belinotte & Belinotte advogados

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