O Pedágio

*Alcindo Garcia

Os índios peles-vermelhas nunca imaginaram que seriam os precursores da cobrança do pedágio. A situação econômica no velho Oeste estava feia, desde que os caras-pálidas invadiram os territórios indígenas em busca de ouro. Foi por isso que o cacique Fim da Picada, que chefiava os índios Comanches, teve a idéia instituir o pedágio para sanear financeiramente a tribo.

Ainda não existiam praças de pedágio, porque as diligências escolhiam rotas alternativas para fugir da cobrança. Para arrecadar a taxa os peles-vermelhas se organizavam em bandos e ficavam à espreita no alto das montanhas. Ao avistarem as diligências, desciam a galope as encostas dos desfiladeiros numa gritaria infernal. Cercavam a diligência, saqueavam os passageiros e levavam o baú com o ouro transportado no bagageiro. Feita a arrecadação, batiam em retirada dando tiros para o alto, comemorando o faturamento.

Varias linhas faliram, pois o frete das diligências não cobria o custo do pedágio. Esse sistema alternativo de arrecadação de dinheiro fácil trouxe aos índios Comanches enorme prosperidade financeira. A ganância levou outras tribos a copiarem o modelo em novas rotas do velho Oeste. Índios Moicanos, Navajos e Sioux também entraram no rendoso negócio, saqueando diligências e passageiros.

A prosperidade indígena só terminou quando os caras pálidas dizimaram os índios e passaram a operar o setor. O sistema chegaria ao Brasil 150 anos mais tarde de forma pacífica e ordeira. Os caras-pálidas criaram as praças de pedágio e a cobrança deixou de ser feita à mão armada. Nos últimos dez anos o número de pedágios foi triplicado, mas sem selvageria. Diferente do velho Oeste, hoje o pedágio é cobrado com educação e civilidade. Ao receber a arrecadação, a mocinha do guichê agradece, e ainda deseja ao contribuinte uma “boa viagem”, com direito ao ticket.

O cacique Fim da Picada deve estar virando no túmulo. No seu tempo a arrecadação gerava custeio de pólvora, além de despesa com a cavalaria.

* Alcindo Garcia é Jornalista – e-mail: [email protected]

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