QUANTO GANHA O TRABALHADOR ASSISENSE?

Para muitos, não é fácil ser vereador. Também não é fácil acordar às 5 da matina, vestir o uniforme da firma e ir para a rua esperar o ônibus, enquanto o frio da madrugada corta o rosto do trabalhador cansado.

O primeiro está lá porque optou por se candidatar. O segundo não tem opção alguma.

O aumento de 75% do subsídio é legal. A legislação permite. Valerá a partir de 2029. Mas o povo rejeita quando compara esse reajuste com a evolução do seu salário.

Segundo dados do IBGE, o salário médio mensal dos trabalhadores formais assisenses, em 2023, foi de 2,5 salários mínimos, o que representava cerca de R$ 3.200. Esta é a média. Muitos ganham menos do que esse valor, acordam de madrugada, são incomodados, trabalham doentes e lutam para ganhar o pão.

E, mesmo ganhando pouco, são honestos. Porque não é o valor do salário que determina se haverá corrupção, e sim o caráter do indivíduo.

A FREQUÊNCIA DOS AUMENTOS

Enquanto os trabalhadores lutam por reajustes que ao menos acompanhem a inflação para que não haja arrocho salarial, a remuneração dos vereadores passa pelo segundo aumento em três anos.

A legislatura anterior à atual, em 2022, aprovou aumento de 48%, de R$ 5.741,23 para R$ 8.500,00, a partir de 2025.

O MOMENTO DE PAUTAS SENSÍVEIS

A noite em que foi aprovado o aumento de 75% aos vereadores de Assis é simbólica por ocorrer em um período de menor mobilização social: confraternizações, comércio funcionando até as 22h, encerramento de ciclos e planejamento para o ano seguinte. Apesar de o povo acompanhar pela mídia, estranhamente um assunto tão polêmico teve tão pouca repercussão na imprensa local.

A população está atarefada demais neste período para acompanhar, com profundidade, os desdobramentos da vida pública do município. Um cenário que reduz a possibilidade de reação coletiva imediata a pautas sensíveis.

CUSTO POLÍTICO

Após o anúncio do ato, as redes sociais foram tomadas por protestos digitais. Natural. Qualquer tipo de aumento que fosse além da inflação tenderia a gerar resistência e críticas. Ainda assim, optou-se pela aprovação de um reajuste de 75%.

A legislação permite. Mas a memória política do eleitor nem sempre acompanha o impacto imediato das decisões. Os efeitos eleitorais só poderão ser medidos com o passar do tempo.

Faltam dois anos e dez meses para as próximas eleições municipais. Apesar das críticas digitais registradas nesta semana, parte daqueles que votaram “sim” poderá chegar a 2028 com chances reais de reeleição, inclusive com a possibilidade de alguns se apresentarem como candidatos a prefeito.  

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