Sete meses após um feto humano ser encontrado em uma usina de reciclagem de lixo em Cândido Mota, Andressa dos Reis Gonçalves da Cunha, de 27 anos, que perdeu uma gestação ectópica ainda aguarda o resultado do exame de DNA que poderá confirmar se o nascituro encontrado é seu filho.

Segundo ela, a demora na conclusão do laudo tem agravado seu estado emocional. “Entrei em depressão, não ando bem. Depois fiquei pior”, desabafou à reportagem do Portal AssisCity.

Andressa dos Reis Gonçalves da Cunha, de 27 anos, aguarda desde novembro de 2025 o resultado de exame de DNA – FOTO: Enviada ao Portal AssisCity

A mulher relata que, em 2 de maio de 2025, precisou passar por uma cirurgia de urgência após ser diagnosticada com uma gravidez ectópica. Meses depois, em novembro de 2025, a mulher tomou conhecimento pela imprensa de que um feto havia sido encontrado em uma usina de reciclagem de lixo em Cândido Mota. Pouco tempo depois, policiais civis foram até sua residência.

Ela foi intimada a comparecer à Delegacia de Polícia Civil de Cândido Mota, onde foi informada de que o feto encontrado possuía idade gestacional compatível com a de sua gestação interrompida.

No dia 2 de dezembro de 2025, ela realizou a coleta de material genético para o exame de DNA. Desde então, afirma aguardar o resultado sem qualquer previsão concreta. “Já cansei de ir na delegacia. Sempre falam que está em elaboração. No IML me disseram que em três meses estaria pronto, mas até hoje nada“, afirmou.

Segundo a mulher, a confirmação é importante para que ela possa buscar seus direitos judicialmente, caso fique comprovado que o feto encontrado é realmente o seu filho.

Relembre o caso

O feto humano foi encontrado na manhã de 5 de novembro de 2025 em um barracão de reciclagem localizado no Distrito Industrial de Cândido Mota. De acordo com o boletim de ocorrência da Polícia Civil, uma funcionária do local encontrou o corpo ao esvaziar um recipiente de lixo. Segundo seu relato, ao puxar uma caixa de papelão, um saco plástico vermelho caiu no chão e, de seu interior, foi localizado o feto humano.

Ainda conforme o boletim, a funcionária afirmou não ser possível identificar de onde o material havia sido coletado, mas acreditava que o descarte havia ocorrido há menos de uma semana. A Polícia Científica e o Instituto Médico Legal (IML) foram acionados para realizar a perícia e recolher o corpo para exames.

Durante as primeiras diligências, policiais civis estiveram no hospital onde foi realizado o procedimento cirúrgico, onde foram informados de que a unidade realiza o descarte de material biológico em sacos plásticos vermelhos, semelhantes ao encontrado na usina de reciclagem. Segundo informações prestadas à polícia, no dia 30 de outubro de 2025, a unidade hospitalar havia descartado um feto com idade gestacional aproximada de dois a três meses, que estava armazenado em freezer até a coleta por empresa especializada responsável por esse tipo de resíduo.

O boletim registra ainda que, naquele momento da investigação, não era possível concluir se o caso configurava aborto provocado ou aborto espontâneo seguido de eventual descarte equivocado por parte do hospital. Por isso, a autoridade policial determinou a instauração de investigação para apurar detalhadamente os fatos.

Polícia afirma que mulher não é investigada

Procurado pelo Portal AssisCity, o delegado responsável pelo caso, Fábio Fulan, explicou que o exame de DNA ainda depende da conclusão da Superintendência da Polícia Científica, em São Paulo. Segundo ele, as amostras biológicas foram encaminhadas ao laboratório localizado no Butantã, responsável por realizar esse tipo de exame para todo o Estado de São Paulo.

Delegacia de Polícia Civil de Cândido Mota - FOTO: Arquivo
Delegacia de Polícia Civil de Cândido Mota – FOTO: Arquivo

“Esses exames são extremamente demorados mesmo. O Estado possui somente um aparelho, que é um absurdo de caro, e fica alocado na Superintendência da Polícia Científica no Butantã. Todos os exames do Estado são realizados no mesmo local, por isso a fila de espera é grande”, explicou.

O delegado informou ainda que diversas diligências já foram realizadas durante a investigação. “Foram realizadas inúmeras diligências, pessoas foram ouvidas e o que falta para cravar se o nascituro encontrado é ou não dessa pessoa envolvida é o laudo conclusivo.”

Fulan fez questão de esclarecer que a mulher não é investigada. “Não há qualquer acusação, sequer apuração formal que a envolva.”

Segundo ele, a principal linha de investigação aponta para uma possível falha no descarte do material biológico. “O que foi apurado, em princípio, é que teria havido erro por parte da entidade hospitalar no momento do descarte. O que se busca esclarecer, por fim, é se o nascituro é o mesmo dela“, concluiu.

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