A Prefeitura de Assis instaurou Processo Administrativo Disciplinar (PAD) contra o ex-secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gonçalves Gabrigna. A medida foi oficializada por meio de portaria publicada no Diário Oficial do Município desta quinta-feira, 16 de julho, três dias após a prisão temporária do ex-secretário durante a Operação “Veritas Vincit”, da Polícia Civil.

Gabrigna é investigado por suspeita de participação nas ameaças sofridas pelo vereador Fernando Sirchia, presidente da CPI dos Combustíveis da Câmara Municipal de Assis. Segundo a Polícia Civil, ele é apontado como um dos possíveis mandantes da ação criminosa ocorrida em março deste ano.
O ex-secretário foi preso na manhã da última segunda-feira, dia 13 de julho, durante a segunda fase da operação e, conforme apurou o Portal AssisCity, permanece na Cadeia Pública de Presidente Venceslau, onde cumpre prisão temporária de 30 dias, prazo que poderá ser prorrogado pela Justiça caso haja necessidade para o andamento das investigações.
Além de Gabrigna, a Prefeitura também instaurou Processos Administrativos Disciplinares contra os servidores Wagner Fernando Eugênio Binati e Matheus Henrique da Cunha Felício, que também são investigados na Operação “Veritas Vincit” e tiveram as prisões temporárias decretadas na terceira fase da investigação, realizada na terça-feira, dia 14 de julho. As portarias foram publicadas na mesma edição do Diário Oficial.


Processos disciplinares
As portarias assinadas pela prefeita Telma Spera determinam a abertura de Processos Administrativos Disciplinares para apurar eventual responsabilidade funcional dos servidores em razão dos fatos investigados pela Polícia Civil. Cada procedimento será conduzido por comissão própria, conforme prevê o Estatuto dos Servidores Públicos Municipais.
A instauração do PAD é um procedimento administrativo independente da investigação criminal e tem como objetivo apurar eventual prática de infrações disciplinares que possam resultar em penalidades previstas na legislação municipal.
Gabrigna volta a responder a um PAD
Esta não é a primeira vez que Leandro Gabrigna responde a um Processo Administrativo Disciplinar. Em 2022, durante a gestão do então prefeito José Fernandes, uma denúncia sobre supostas irregularidades no abastecimento da frota municipal levou à abertura de um PAD envolvendo a Secretaria de Obras.
Na época, o então secretário de Obras, Fábio Nossack, recebeu a informação de que cartões de abastecimento das máquinas da Prefeitura estariam na posse de Gabrigna, que ocupava cargo de chefia e se encontrava de férias. Diante da denúncia, o secretário, juntamente com o servidor Alcides Martins, formalizou o relato e encaminhou ao gabinete do prefeito o pedido de abertura do processo administrativo para apuração dos fatos.
Durante a apuração, Gabrigna foi retirado das funções exercidas na Secretaria de Obras e cedido ao Consórcio Intermunicipal do Vale do Paranapanema (CIVAP). Em março de 2023, foi nomeado responsável pelo Controle Interno do consórcio.
Entretanto, o procedimento não foi concluído antes do fim da gestão José Fernandes. Mesmo com o PAD ainda em tramitação, Gabrigna foi nomeado secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços no início da administração Telma Spera. Em janeiro de 2025, já na atual gestão, o processo foi encerrado sem qualquer punição ao servidor, que permaneceu à frente de uma das principais secretarias do governo até ser preso temporariamente pela Polícia Civil durante a Operação “Veritas Vincit”.
Operação segue sob segredo de Justiça
A Operação “Veritas Vincit” já cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão em três fases distintas e segue sob segredo de Justiça.
Além de Gabrigna, Wagner Binati e Matheus Felício, também estão presos Eduardo Santos Góes, apontado pela investigação como intermediador da contratação do executor da ameaça, e André Victor de Pereira Moraes, que segundo apuração da nossa reportagem, teria confessado à Polícia Civil ter abordado o vereador Fernando Sirchia em março deste ano.
Segundo informações confirmadas pelo Portal AssisCity, André afirmou ter recebido R$ 3 mil para executar a intimidação, enquanto Eduardo teria recebido R$ 500 pela intermediação. A Polícia Civil continua analisando os aparelhos eletrônicos e demais materiais apreendidos para esclarecer completamente a dinâmica dos fatos.
O Portal AssisCity mantém espaço aberto para manifestação das defesas dos investigados. Caso haja posicionamento, esta reportagem será atualizada.










