O caso da artista paulistana de 35 anos, Aimée Neumann de Oliveira, que a mais de 2 anos mora em Assis e desde o dia 15 de abril de 2025 tenta recuperar a guarda de sua filha recém-nascida, ganhou um capítulo decisivo e profundamente humano: após mais de vinte anos sem contato com a filha, o avô da bebê, Ruy de Oliveira — um senhor de 73 anos com mobilidade reduzida devido à uma cirurgia na perna, morador de Itanhaém, no litoral de São Paulo — viajou até Assis exclusivamente para reencontrar a neta, acolhida pelo sistema de proteção. A chegada dele reacendeu as esperanças da família e abriu novas possibilidades jurídicas para o processo.

A reaproximação foi mediada pelo advogado de Aimée, Marcos Palma, que a convenceu a procurar o pai após mais de uma década de afastamento. Ao receber o contato inesperado da filha, o avô ficou “desesperado”, segundo relatos, e decidiu imediatamente viajar até Assis para tentar ajudar a reverter a situação.  Para a família, a presença dele reforça a tese de que a bebê possui vínculos familiares legítimos e afetivos que precisam ser considerados pelo Judiciário — e que o acolhimento não pode ser mantido sem a análise adequada das condições reais da mãe e de sua família.

Sentença negativa e recurso em andamento

A defesa de Aimée confirma que já houve uma sentença desfavorável no processo que discute a guarda da bebê. Ela perdeu a ação em primeira instância, mas seu advogado ingressou com recurso em São Paulo, onde o caso agora aguarda análise. A chegada e o depoimento do avô deverão ser incluídos na atualização processual.

“Esse reencontro é uma virada na história. Ela reencontrou o próprio pai, que estava ausente há mais de vinte anos, e agora eles tentam juntos reverter o acolhimento”, disse o advogado em entrevista ao Portal AssisCity.

Origem do caso e denúncias de violência

Aimée afirma que a filha foi retirada de seus braços horas após o parto em um hospital da cidade, em abril de 2025, depois que a equipe interpretou como negligência sua preocupação com o uso de medicação controlada e os riscos de amamentação. Ela relata que não recebeu explicações e que a retirada ocorreu sem a presença de um defensor público.

Dentro do hospital, diz ter sido alvo de humilhações e acusações equivocadas, incluindo a alegação de que estaria em situação de rua e teria histórico de transtorno bipolar — informações que nega e atribui a preconceitos raciais e sociais. “Eu precisava de acolhimento. Em vez disso, recebi desconfiança”, afirma.

Após o acolhimento, Aimée relata ter vivenciado novas violências institucionais ao buscar atendimento psicológico na rede pública.

Reencontro

A chegada do avô emocionou a equipe que acompanha o caso e trouxe à família uma esperança que parecia distante. Cadeirante e com dificuldades de locomoção, ele percorreu mais de 600 quilômetros para ver a neta pela primeira vez — um gesto que, segundo a defesa, evidencia o comprometimento familiar em garantir o retorno da criança ao convívio de origem.

Aimée e seu pai, Ruy, em São Paulo, cidade natal da artista. “Vivi por mais de dez anos em Londrina, onde estudei Artes Cênicas na UEL. Me mudei para Assis após o falecimento de minha mãe que vivia aqui a trabalho. Ela era aposentada como servidora pública, atuava no Fórum de Assis, e após se aposentar passou a atuar como advogada em Assis”, contou – FOTO: Enviada ao Portal AssisCity

Para Aimée, foi também um momento simbólico de reconstrução pessoal: a reconciliação com o pai após dez anos de silêncio. “É como se nossa família estivesse sendo montada novamente, peça por peça. Faz mais de 2 anos que moro em Assis, vim para enterrar minha mãe que morava aqui. Entrei em depressão e comecei a fazer tratamento de saúde mental na rede pública, foi quando eu tive minha filha acolhida. Espero que tudo isso se resolva o mais rápido possível, preciso ter minha filha de volta”, finalizou.

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