Pela segunda vez consecutiva, a prefeita de Assis, Telma Spera não compareceu à CPI dos Combustíveis da Câmara Municipal. Convidada para prestar esclarecimentos aos vereadores nesta terça-feira, dia 21 de julho, a chefe do Executivo voltou a não participar da reunião, mesmo após ter solicitado o reagendamento da oitiva marcada inicialmente para o último dia 14 de julho.

Na ocasião, Telma havia informado que não poderia comparecer na data originalmente prevista e pediu que uma nova reunião fosse marcada. O novo encontro foi agendado para esta terça-feira, porém a prefeita novamente não esteve presente.
Prefeitura pede que perguntas sejam enviadas por escrito
Apesar de não comparecer pessoalmente, a Prefeitura de Assis encaminhou um ofício assinado pela prefeita à Câmara Municipal na manhã desta terça-feira. No documento, Telma solicita que todos os questionamentos da CPI sejam encaminhados por escrito, comprometendo-se a responder formalmente às perguntas da comissão.
No ofício, a prefeita afirma que o município atravessa um momento de intensa reorganização administrativa, em razão das recentes mudanças no primeiro escalão do governo, entre elas a prisão temporária do então secretário municipal de Planejamento, Obras e Serviços, Leandro Gabrigna, investigado de ser um dos mandantes da ameaça de morte e do roubo de celular de Fernando Sirchia, e a reorganização da Secretaria Municipal de Governo.

Segundo Telma, a situação exige dedicação integral da chefia do Executivo para garantir a continuidade dos serviços públicos e a estabilidade administrativa. Ela também afirma que busca preservar a regularidade das investigações conduzidas pela Polícia Civil, pelo Ministério Público e pela própria CPI dos Combustíveis.
Ainda no documento, a prefeita sustenta que responder aos questionamentos por escrito permitirá maior rigor técnico e jurídico, evitando “equívocos de memória, interpretações imprecisas ou informações incompletas”. Segundo ela, essa forma de colaboração possibilita que cada resposta seja acompanhada da documentação necessária e apresentada de maneira organizada.
Telma também afirma que o pedido não representa resistência aos trabalhos da comissão, mas uma forma de colaborar de maneira “efetiva, transparente, responsável e tecnicamente precisa”. Ao final do ofício, reafirma compromisso com a transparência, a legalidade e o esclarecimento dos fatos, colocando-se à disposição para responder, por escrito, a todos os questionamentos encaminhados pela CPI.
HD com imagens é um dos principais questionamentos
A prefeita foi convidada pela comissão para prestar esclarecimentos sobre uma série de temas relacionados às investigações conduzidas pela CPI dos Combustíveis. Um dos principais assuntos que os vereadores pretendiam abordar era o destino do HD que armazenava as imagens do sistema de monitoramento da Secretaria Municipal da Saúde.

Durante depoimento prestado à CPI, o chefe do Departamento de Tecnologia da Informação da Secretaria da Saúde, Rafael Lúcio da Silva, afirmou que retirou o HD do equipamento para preservar as gravações consideradas importantes para as investigações. Segundo ele, o equipamento foi entregue pessoalmente à prefeita, em seu gabinete, após comunicar a então secretária municipal da Saúde sobre a retirada do disco rígido.
Posteriormente, em resposta encaminhada à própria CPI, a Prefeitura informou que não possuía mais as imagens solicitadas pela comissão, alegando que o sistema de monitoramento realiza a sobrescrição automática das gravações após determinado período. Diante da divergência entre as informações, o paradeiro do HD e das imagens tornou-se um dos principais pontos que os vereadores esperavam esclarecer com a prefeita.
LinkCard e nomeações também estão na pauta
Além disso, Telma também deveria responder sobre decisões administrativas relacionadas ao sistema de abastecimento da frota municipal, entre elas os critérios adotados para designar os servidores responsáveis pela interlocução com a empresa LinkCard, administradora dos cartões de abastecimento, e qual era a participação da administração municipal na gestão do sistema investigado pela CPI.
A Comissão Parlamentar de Inquérito dos Combustíveis foi instaurada pela Câmara Municipal para apurar supostas irregularidades relacionadas ao abastecimento da frota pública de Assis.









