Após o anúncio feito pela Prefeitura de Assis, no final da noite da última segunda-feira, dia 26 de janeiro, sobre a retomada do projeto Integra Vida no prédio do antigo Instituto Educacional de Assis (IEDA), a família Zwicker procurou o AssisCity para contestar as falas da Prefeita Telma Spera.

Luciano Zwicker, um dos herdeiros, afirma que o prédio continua sendo da família e que ainda não foi procurado. “Esclarecemos à população que o referido prédio permanece legalmente registrado em nome da família, conforme matrícula imobiliária, e que não foi firmado, até o presente momento, nenhum contrato, acordo ou autorização com a Prefeitura de Assis permitindo a entrada, ocupação ou utilização do imóvel”, explica.

O prédio do antigo IEDA fica na Av. Dr. Dória, 260, na Vila Ouro Verde - FOTO: Portal AssisCity
O prédio do antigo IEDA fica na Av. Dr. Dória, 260, na Vila Ouro Verde – FOTO: Portal AssisCity

Luciano explica que existe, no passado, um contrato de compromisso de compra e venda que não foi finalizado, não houve transferência de propriedade, nem outorga de poderes para que terceiros negociassem, alugassem ou cedessem o prédio. A família disse que não reconhece qualquer contrato de locação firmado pela Prefeitura. “Nós não reconhecemos qualquer contrato firmado entre a prefeitura e empresa terceira. Aguardamos, com urgência, que o Município torne público qual é o suposto instrumento jurídico que estaria autorizando a ocupação do imóvel, bem como quem o assinou e com base em qual poder legal”, questiona.

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“Reforçamos que anúncios em redes sociais ou declarações públicas não substituem contrato válido, tampouco afastam o direito de propriedade. A família proprietária reafirma que não é contrária a projetos sociais, mas entende que qualquer utilização de bem particular deve obedecer rigorosamente à lei, à transparência e ao respeito aos proprietários”, explica Luciano.

Luciano Zwicker – FOTO: Arquivo

“Diante da situação, aguardamos um posicionamento formal da Prefeitura e a apresentação dos documentos que, segundo foi divulgado, teriam regularizado a entrada no prédio”, finaliza. Luciano também afirmou que o imóvel segue registrado em nome da família Zwicker e que há uma dívida aproximada de R$ 1 milhão em IPTU vinculada ao prédio.

A polêmica teve início em 2025, quando a Prefeitura de Assis publicou o nome da família Zwicker no Portal da Transparência como fornecedora do Contrato de Locação do imóvel nº 2106/25, no valor de R$ 360 mil. No entanto, mesmo após o anúncio de investimentos no prédio, ao ser questionada pela Câmara Municipal de Assis, a Prefeitura informou, à época, que não havia contrato formalmente assinado. Na época o prédio foi desocupado e o contrato retirado do Portal da Transparência.

Por conta dos entraves burocráticos, o prédio foi desativado – FOTO: Portal AssisCity

Prefeita diz que município não reconhece a família como proprietária

Em entrevista ao Portal AssisCity, a Prefeita Telma afirmou que a administração municipal não entende que a família seja a proprietária do imóvel e que as tratativas foram feitas com quem consta legalmente como dono.

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“Meu contato é com o dono do imóvel, aquele que tem toda a propriedade. Todos os nossos contatos são com os proprietários”, afirmou Telma. Segundo ela, desde as denúncias da família, a prefeitura teve que “tirar o pé do acelerador”, mas que agora está tudo resolvido e que o município conseguiu avançar nas negociações e que o projeto será implantado por meio de um comodato não oneroso. “Para o município, isso é um grande avanço”, disse.

Questionada diretamente pelo Portal AssisCity sobre quem, afinal, a Prefeitura entende ser a proprietária do imóvel, já que não reconhece a família Zwicker como dona, a prefeita afirmou que, para a administração municipal, “consta como proprietários os administradores da Uniesp”.

Telma afirmou ainda que, para a administração municipal, eventuais disputas sobre a propriedade do imóvel não dizem respeito à Prefeitura. “Qualquer embate é entre eles. A Prefeitura Municipal de Assis lida com aquilo que consta como proprietário”, disse.

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Zwicker rebate declaração

Em resposta às declarações da prefeita, Luciano Zwicker contestou a afirmação de que a Uniesp seria a responsável legal pelo imóvel e afirmou que a propriedade pode ser verificada de forma simples no Cartório de Registro de Imóveis.

Quando ela diz que fala com o dono do imóvel, eu não sei quem é esse dono. O cartório de registro de imóveis fica ali do lado da Prefeitura. É só ir lá e ver quem consta como proprietário. É impossível terem feito uma transferência unilateral, não existe essa possibilidade. Para eles fazerem uma transferência, tem que ter a nossa assinatura junto. E se a Prefeitura entregar algum documento assinado por alguém que não seja de nós três juntos – eu, minha irmã e o meu irmão – não tem negócio, não vai ter nada, vai voltar tudo para trás de novo”, afirmou.

Diante da informação, o Portal AssisCity solicitou às 19h30 desta quarta-feira, dia 28 de janeiro, a matricula atualizada do imóvel no site Registro de Imóveis do Brasil e, no documento, consta como atual proprietário membros da Familia Zwicker.

Recuperação judicial

No ano passado, uma reportagem publicada pelo Portal AssisCity no dia 27 de outubro de 2025 revelou que o grupo empresarial que firmou contrato de promessa de compra do prédio do antigo IEDA encontra-se em recuperação judicial.

Conforme apuração da reportagem, o grupo, com sede em Birigui (SP), está em recuperação judicial desde 2023, segundo consulta realizada em 23 de outubro de 2025. O pedido foi protocolado na Comarca de São José do Rio Preto (SP), com a declaração de um passivo de R$ 1.039.331.813,29 (um bilhão, trinta e nove milhões, trezentos e trinta e um mil, oitocentos e treze reais e vinte e nove centavos), a ser reestruturado.

Embora a empresa continue ativa junto à Receita Federal, ela se encontra sob situação especial de recuperação judicial, o que significa que suas atividades e finanças estão sendo acompanhadas pelo Judiciário para fins de renegociação de dívidas e reestruturação financeira.

Para a família Zwicker, essa situação reforça os questionamentos sobre a ausência de transferência definitiva da propriedade do imóvel.

Ministério Público já foi acionado

O herdeiro confirmou ainda que o Ministério Público já foi acionado e que os envolvidos deverão prestar esclarecimentos formais. “Vão ter que explicar quem acreditou em quem, quem mentiu e quem acreditou. Tanto o tal do “dono do prédio” que ela [Telma] diz que é a Uniesp, quanto ela própria. Se não for para mim, vai ser para o Ministério Público, para a Procuradoria Geral. Não interessa até que nível isso chegue”, declarou.

Limpeza do prédio e início dos atendimentos

Apesar da controvérsia, a Prefeitura iniciou nesta terça-feira, dia 27, a limpeza do prédio do antigo IEDA, como primeira etapa para a implantação das secretarias municipais no local.

Funcionários da Prefeitura de Assis deram início a limpeza do local ainda na terça-feira, 27 – FOTO: Portal AssisCity
Previsão é de que os atendimentos tenham início na próxima semana – FOTO: Portal AssisCity

A previsão da administração municipal é que os atendimentos do projeto Integra Vida tenham início na próxima semana, conforme o avanço da organização interna e da adequação do espaço. O local prevê a integração das secretarias municipais de Saúde, Assistência Social e Esportes e poderá abrigar a EMEIF “Prof. Henrique Zollner Neto”, que enfrenta problemas estruturais, além de atividades do curso de Educação Física da FEMA e da Fatec e ações voltadas a crianças autistas.

Manifestação da Uniesp

Por meio de nota, enviada ao Portal AssisCity ainda em 2025, a União das Instituições Educacionais do Estado de São Paulo (Uniesp) comentou sobre o caso envolvendo o imóvel onde funcionou o Instituto Educacional de Assis (IEDA). No documento, a instituição declara que o imóvel “foi adquirido em 2013 com a formalização de um acordo que envolveu a compra da operação educacional e do ativo imobiliário“.

[…]

O processo para regularizar a transferência de titularidade do imóvel foi iniciado e está em tramitação junto aos órgãos competentes, respeitando os prazos e os processos legais aplicáveis.

Com relação aos débitos de imposto, a instituição escreveu que “em relação ao IPTU, o parcelamento firmado junto à Prefeitura Municipal de Assis está com os pagamentos em dia“.

Contrato segue sem publicação

Até a publicação desta matéria, nenhuma informação sobre contrato, comodato ou outro instrumento jurídico relacionado ao uso do imóvel havia sido disponibilizada no Portal da Transparência da Prefeitura de Assis.

O Portal AssisCity seguirá acompanhando o caso, incluindo a manifestação do Ministério Público, a eventual publicação de documentos oficiais e os desdobramentos sobre a efetiva implantação do projeto Integra Vida no prédio do antigo IEDA.

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