A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por intermédio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta-MP) e do Instituto Agronômico (IAC) realizou ontem no Polo Regional Médio Paranapanema a “Reunião Técnica sobre a Cultura do Milho Safrinha no Estado de São Paulo”.
Inicialmente a reunião tratou de mercado e custo de produção. O pesquisador científico do Instituto de Economia Agrícola (IEA-SP), Alfredo Tsunechiro falou sobre as “Perspectivas do Mercado de Milho”. E, na seqüência, o agrônomo da Coopermota/ Palmital, Sergio Lobo, discorreu sobre “Custo de Produção do Milho Safrinha”.
Em um segundo momento tratou-se dos resultados da avaliação regional de cultivares de milho safrinha IAC/Apta/Cati/Empresas no Estado de São Paulo em 2012. A pesquisadora científica do IAC, Angélica Prela Pântano, abordou o tema “Caracterização do clima nas regiões produtoras de milho safrinha”.
O pesquisador científico do Programa Milho e Sorgo IAC/Apta, Campinas, Aildson Pereira Duarte, por sua vez, falou sobre “Produtividade de grãos e parâmetros agronômicos em cultivares de milho”, e a pesquisadora científica do Instituto Biológico, Campinas, Gisèle Maria Fantin, sobre “Severidade de doenças foliares e resposta de cultivares ao uso de fungicidas”.
RESULTADO PESQUISA – O resultado da pesquisa sobre a safrinha de milho 2012 vem aperfeiçoar o sistema produtivo adotado no Médio Paranapanema. De acordo com Aildson, o produtor já usa uma tecnologia apropriada e a cada ano vem se atualizando. O resultado apresentando na reunião é considerado importante para que inovações sejam introduzidas no sistema. De acordo com o pesquisador, ao longo de 21 anos trabalhando com IAC/Apta-MP a produtividade do milho safrinha praticamente dobrou. “Esse ganho expressivo em produtividade se deve a grande integração entre a área tecnológica e os produtores”, observa.
Ailson observa ainda que o mercado tem sido bastante satisfatório a produção do milho, ou seja, oferecendo preços que remuneram os investimentos que os produtores têm realizado e gerado lucro. As perspectivas são boas para a próxima safra verão de milho, mas, para o pesquisador, ainda é prematuro afirmar que a Safrinha 2013 será comercializada com os mesmos patamares de preço da safra anterior.
No ponto de vista de Ailson, os custos de produção estão relativamente elevados, principalmente na alta tecnologia. “Os preços do adubo e semente estão acentuados. Daí a importância de obter boas produtividades, o que não está totalmente sob o controle do homem, já que existe também o fator preponderante do clima. Nos últimos três anos, tivemos duas safras vitoriosas e uma perdida por seca/geada”, lembra.
Outro aspecto lembrado pelo pesquisador é o de que quanto maior o investimento, maiores as chances de alta produtividade, porém, igualmente grandes são os riscos de prejuízos devido aos fatores climáticos. “O produtor tem que acertar na escolha do hibrido, na época da semeadura, e realizar adequadamente o manejo do solo para minimizar os riscos de quebra da produção”, alerta.
A Safrinha 2012 alcançou a melhor produtividade na média regional, consequentemente apresentando os melhores resultados dos últimos 21 anos de pesquisas. Tais resultados servem para embasar tecnologicamente o produtor na escolha dos novos híbridos e na adequação das práticas culturais. “A safrinha 2012 foi muito produtiva, mas nela também ocorreram muitos problemas com doenças. Uma das principais ferramentas para atacar o problema é a escolha de híbridos resistentes às doenças, cabendo ao produtor complementar o manejo, quando necessário, com o uso de fungicidas”, finaliza.
PESPECTIVAS – O pesquisador científico do IEA-SP, Alfredo Tsunechiro, com base no levantamento dos órgãos governamentais realizado em setembro sobre a safrinha, observou que esse ano agrícola foi excepcional em termos de Brasil e que também excepcionalmente a safrinha de milho superou a de verão do ano anterior. Isso levando em conta uma frustração da última safra verão no sul do país.
“Para o ano safra 2012/13, apesar de a soja estar com excelente preço, o milho também deve ir bem considerando a quebra da safra norte-americana e o crescente mercado chinês que, como todos sabemos, é a locomotiva da demanda mundial por alimentos”, estima Tsunechiro lembrando ainda que aos poucos vêm aumentando o plantio de milho irrigado no Brasil, o que em pequena área apresenta um aumento significativo em produtividade.










