O enfrentamento político é normal. Cada político tem suas ideias, suas convicções, e nesse campo há espaço para todos. É também assim que se constrói uma democracia.
Só que, em nossa cidade, esses embates produziram algo que ninguém imaginava ver: a ameaça de morte ao vereador mais votado, democraticamente, na última eleição.
Imaginava-se que, diante das movimentações administrativas e políticas, houvesse, ao menos, a tentativa de uma solução pacífica. Aliás, aquela que todos nós, cidadãos que assistimos a tudo isso, merecemos.
E que fique claro, nada aqui tem a ver com eventuais decisões da administração naquilo que ela acredita ser correto. Mas, com franqueza, tudo isso poderia ser feito sem o alarde totalmente desnecessário que se viu.
Acreditava-se que a entrevista coletiva realizada pela administração fosse esclarecer os fatos que andam incendiando a cidade e cansando os nossos ouvidos. Mas… esquece, nem merece comentário!
Meu Deus, será que não é possível enxergar a seriedade do momento com atitudes serenas? Será que não há alguém disposto a dizer isso? A minha parte, faço por aqui.
Faço por aqui porque calar, diante do que se viu, seria uma forma de concordar. E quando o que está em jogo é a vida dos cidadãos e o dinheiro público que sustenta o seu bem estar, ficar em silêncio não é neutralidade, é omissão.
Vale repetir o óbvio, que parece ter virado necessidade. Divergir é o oxigênio da democracia, mas ameaçar um parlamentar é a asfixia dela. Entre uma coisa e outra há uma distância que conveniência política nenhuma autoriza atravessar.
Pode-se discordar de parlamentes ou membros do executivo, combater suas ideias, derrotá-los no debate e nas urnas. Tudo isso é legítimo e até saudável. O que não se pode, em hipótese alguma, é transformar a vida de alguém em moeda de disputa. Quem ameaça não atinge apenas um político: atinge o mandato que milhares de assisenses depositaram nele e, no fim das contas, a própria vontade popular que tanto dizemos respeitar.
Fosse o contrário, qual seria a atitude da mandatária? Falta empatia!!!
Confesso que me espantam as prioridades trocadas. Mobiliza-se estrutura, convoca-se a imprensa, gasta-se energia com o que é secundário. O essencial, o grave, a ameaça de morte, a saúde, ou fica no subtexto ou se perde no meio das explicações.
Sinceramente, qual benefício concreto produziria a substituição do Presidente da CPI? Basta acompanhar os depoimentos já realizados para compreender que o trabalho investigativo não se resume à figura de quem conduz a comissão. A verdade não muda de acordo com quem ocupa a presidência. Se há fatos a serem apurados, continuarão existindo; se há responsabilidades, continuarão exigindo resposta.
O que mudaria?
Que administração é essa que tem pressa para o acessório e paciência para o que não pode esperar? A serenidade que peço aqui não é conivência, nem silêncio; é o contrário disso. Serenidade é conseguir enxergar o que vem primeiro: primeiro a vida, depois o cargo; primeiro a saúde, depois a publicidade; primeiro a segurança de um cidadão, depois as conveniências do momento. Essas mesmas prioridades constam do projeto político apresentado, que efetivamente está esquecido!
Escrevo, então, não como defensor disto ou daquilo, mas como alguém que vive esta cidade há quase cinco décadas e se recusa a vê-la refém do barulho. Assis é maior do que as suas conjunturas. Sempre soube encontrar, nos momentos de tensão, gente capaz de baixar a voz para elevar o debate. É essa gente que eu convoco. Que alguém, com autoridade e sem alarde, diga o que precisa ser dito e faça o que precisa ser feito.
A minha parte, faço por aqui. Que cada um faça a sua, antes que o irreparável nos ensine, tarde demais, o que a serenidade poderia ter evitado.
Ricardo Hiroshi Botelho Yoshino
Advogado
Presidente da OAB Assis (GestãO 2010/12)
Conselheiro Estadual da OAB (Gestão 2016/18)










