A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Combustíveis da Câmara Municipal de Assis decidiu incluir formalmente a secretária municipal da Saúde, Amanda Mailio Santana, no rol de investigados da comissão. A decisão foi assinada pelo presidente da CPI, vereador Fernando Sirchia, e pelo relator, vereador João da Silva Filho, o Timba, e publicada em despacho datado de 8 de junho de 2026.

Até então, Amanda figurava nos trabalhos da comissão na condição de testemunha. Com a nova decisão, passa a ser investigada diante do que a CPI classificou como “robustez dos indícios” levantados ao longo das apurações.

Segundo o despacho, a mudança de status ocorreu após a coleta de depoimentos, documentos e acareações que, na avaliação dos vereadores, apontam possível participação da secretária em atos de acobertamento de irregularidades, prevaricação, fraude processual e perseguição a servidores públicos.

Entre os principais fundamentos apresentados pela comissão estão supostas contradições identificadas no depoimento prestado por Amanda à CPI.

Um dos pontos citados pelos vereadores refere-se às escalas de viagens dos motoristas da Secretaria da Saúde. Durante sua oitiva, a secretária afirmou que havia sido instaurada uma sindicância para apurar o desaparecimento desses documentos. No entanto, conforme destaca a comissão, a própria Prefeitura informou posteriormente que nenhuma sindicância foi aberta sobre o caso.

Outro episódio mencionado envolve uma suposta auditoria para apurar irregularidades em abastecimentos realizados antes da atual gestão do setor de transportes. Segundo a CPI, Amanda declarou que havia determinado ao servidor Ivan Sérgio Alves a realização desse levantamento. Em depoimento posterior, porém, Ivan teria negado ter recebido qualquer solicitação nesse sentido.

A comissão também aponta divergências relacionadas ao desaparecimento das imagens de câmeras de segurança da Secretaria da Saúde.

Em seu depoimento, Amanda afirmou não ter conhecimento sobre a retirada do HD que armazenava as gravações originais do sistema de monitoramento. Entretanto, o chefe do Departamento de Tecnologia da Informação da Saúde, Rafael Lúcio da Silva, declarou à CPI que comunicou pessoalmente a secretária sobre a retirada do equipamento antes de entregá-lo à prefeita Telma Spera.

Outro ponto destacado no despacho é a atuação do servidor Leonardo Gonçalves Gabrigna. Segundo a CPI, embora ocupasse oficialmente o cargo de motorista, ele exercia funções de chefia no setor de transportes sem nomeação formal para cargo de confiança.

De acordo com os vereadores, Amanda teria permitido que Leonardo coordenasse atividades administrativas, elaborasse escalas de motoristas e participasse de procedimentos relacionados à liquidação de notas fiscais de combustíveis, situação que, segundo a comissão, comprometeria mecanismos de controle interno e fiscalização.

O documento também cita a exoneração da função de confiança exercida pelo servidor Danilo Batistela. Conforme a CPI, Danilo foi um dos responsáveis por apontar possíveis irregularidades nos abastecimentos da frota municipal.

Na avaliação dos vereadores, a retirada do servidor da função e sua substituição por outros funcionários sem atribuições específicas para a gestão da frota podem indicar uma possível retaliação contra quem teria denunciado problemas internos.

Apesar da inclusão no rol de investigados, a CPI afirma que a medida tem como objetivo garantir o devido processo legal e assegurar à secretária o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa.

Com a mudança de condição processual, Amanda Mailio poderá acompanhar formalmente os atos da investigação, apresentar requerimentos, produzir provas e atuar por meio de seus advogados na defesa das acusações levantadas durante os trabalhos da comissão.

A CPI dos Combustíveis foi instaurada para apurar possíveis irregularidades administrativas, financeiras e operacionais relacionadas ao abastecimento da frota municipal e à gestão dos veículos vinculados às secretarias de Saúde, Obras e Educação de Assis.

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