Na última visita que o presidente norte-americano Donald Trump fez à China, realizada em maio desse ano, o presidente chinês, Xi Jinping, fez uma observação curiosa ao mandatário americano: “vamos fazer todo o esforço necessário para evitarmos a Armadilha de Tucídides”. Afinal, o que é a chamada Armadilha de Tucídides.
Um espaço antes de falar desse termo. No avião que Trump foi a China, ele levou megaempresários, principalmente aqueles donos das chamadas Big Techs. Tais empresários levados por Trump, de acordo com pesquisa da fortuna dos mesmos feita por um jornalista alemão, era de, nada mais, nada menos, 35 trilhões de dólares. Vejam o tamanho da fortuna que esse avião carregava.
A chamada Armadilha de Tucídides tornou-se, ao longo da última década, um elemento recorrente nos comentários sobre política externa, sendo invocada regularmente para enquadrar a rivalidade crescente entre os Estados Unidos e a China.
O termo foi cunhado pelo cientista político Graham Allison — primeiro em um artigo publicado em 2012 no Financial Times e, posteriormente, desenvolvido em seu livro de 2017, Destined for War. A expressão remete a uma passagem do historiador grego antigo Tucídides, que escreveu em História da Guerra do Peloponeso: “Foi a ascensão de Atenas e o medo que isso incutiu em Esparta que tornou a guerra inevitável”.
À primeira vista, trata-se de uma analogia convincente e convenientemente empacotada: potências emergentes provocam ansiedade nas potências estabelecidas, o que leva ao conflito. No contexto atual, a implicação parece clara — a ascensão da China estaria destinada a provocar um choque com os Estados Unidos, assim como Atenas fez com Esparta.
Mas esse enquadramento corre o risco de achatar a complexidade da obra de Tucídides e distorcer sua mensagem filosófica mais profunda. Tucídides não estava articulando uma lei determinista da geopolítica. Ele estava escrevendo uma tragédia.
Visto sob essa perspectiva, o verdadeiro ensinamento de Tucídides não é que a guerra seja predestinada, mas que ela se torna mais provável quando as nações permitem que o medo obscureça a razão, quando líderes confundem encenação com prudência e quando decisões estratégicas são guiadas pela insegurança, e não pela clareza.
Tucídides nos lembra de como a percepção facilmente se deteriora em distorção — e de quão perigoso é quando líderes, convencidos de sua própria virtude ou de uma suposta necessidade histórica, deixam de ouvir qualquer voz discordante.
No contexto atual, invocar a Armadilha de Tucídides como justificativa para a confrontação com a China pode causar mais danos do que benefícios. Isso reforça a noção de que o conflito já está em curso e não pode ser interrompido. Mas, se há uma lição em História da Guerra do Peloponeso, ela não é a de que a guerra é inevitável, e sim a de que ela se torna provável quando o espaço para a prudência e a reflexão colapsa sob o peso do medo e do orgulho.
Tucídides não oferece uma teoria das relações internacionais. Ele oferece um alerta — uma advertência a líderes que, aprisionados em suas próprias narrativas, conduzem suas nações rumo ao abismo.
Evitar esse destino exige melhor julgamento. E, acima de tudo, exige a humildade de reconhecer que o futuro não é determinado apenas por pressões estruturais, mas pelas escolhas que as pessoas fazem.
Falando sobre a Armadilha de Tucídides, há um outro componente para apimentar ainda mais esse artigo, que traz preocupações e, por que não, medo. É o chamado Relógio do Juízo Final.
O Relógio do Juízo Final é um relógio simbólico que mostra o quão perto a humanidade está de destruir o planeta. Criado em 1947 pelo Bulletin of the Atomic Scientists (Boletim dos Cientistas Atômicos), a meia-noite representa o fim do mundo.
De acordo com esse “relógio”, já passamos das 23h55. Esse “relógio” diz que o horário atual é de 85 segundos para a meia-noite: definido em 27 de janeiro de 2026, é o momento mais próximo da aniquilação total já registrado na história do relógio.
O Que os Ponteiros Medem: Riscos nucleares: Tensões entre potências e ameaças de uso de armas atômicas; Crise climática: O avanço do aquecimento global e desastres ambientais; e Tecnologias perigosas: O uso militar e desregulado da inteligência artificial, além de riscos biológicos e desinformação.
Diante dessas informações, podemos entender que o planeta corre sérios riscos, e que isso pode trazer consequências sem volta.
Sergio Vieira é jornalista e mestre em História pela Unesp.










