Falta apenas um dia para Assis voltar a pulsar no volume máximo. Depois de anos fora do calendário cultural da cidade, o Rock Cidade 2026 retorna nos dias 15 e 16 de maio transformando a Praça da Bandeira em território oficialmente dominado por riffs, rodas de amigos, refrões gritados em coro e muita história pra contar.

Com 12 bandas locais e regionais no line-up e show nacional de Di Ferrero encerrando a primeira noite, o festival promete devolver ao público aquele clima clássico dos grandes encontros de rock que marcaram gerações em Assis.

Realizado pela Prefeitura Municipal de Assis, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, o evento conta com entrada solidária mediante doação de um litro de leite e a programação também inclui comércio local e brinquedos gratuitos para crianças.

Dentro dessa retomada carregada de expectativa, o Portal AssisCity apresenta a sexta banda a subir ao palco no sábado, dia 16, às 22h: a Reverso, de Presidente Prudente, formada por Guidio nos vocais, Mike na guitarra, Carol no baixo e Zureba na bateria.

E se existe uma palavra que define a trajetória da banda, provavelmente é persistência.

Banda Reverso de Presidente Prudente – Foto: Divulgação

Em conversa com o Portal AssisCity, Guidio, vocalista da Reverso, e Mike, guitarrista da banda, relembraram que a história do grupo começou muito antes da formação oficial. Ainda adolescentes, os dois se conheceram quase por acaso, durante o ensaio de outra banda encontrada através de um anúncio no Orkut — um cenário absolutamente anos 2000 e que faz total sentido para uma banda moldada pelas referências daquela geração.

“O cara era muito novo, não tinha nem 16 anos, e eu era só um ano mais velha, com 17. Ali a gente sentiu que tinha algo e decidimos começar um projeto juntos”, relembrou Guidio.

Mas antes da estrada, vieram os obstáculos típicos de quem tenta fazer rock longe dos grandes centros. Mike morava em Anhumas, enquanto Guidio estava em Presidente Prudente. Entre viagens, mudanças de formação e recomeços constantes, foram praticamente dois anos tentando estabilizar o projeto.

A Reverso carrega no DNA aquela mistura pesada e emocional que marcou os anos 90 e 2000 – Foto: GASALUCINAÇÃO

A primeira formação oficial da Reverso finalmente surgiu em 2013, estreando em um show em Rancharia. Desde então, a banda nunca mais saiu da rota da cena independente do interior paulista.

“Agora, em outubro de 2026, a gente completa 13 anos dessa caminhada oficial. É chão, hein!”, destacou o vocalista.

E toda essa estrada aparece diretamente no som da banda.

A Reverso carrega no DNA aquela mistura pesada e emocional que marcou os anos 90 e 2000. Tem influência de Linkin Park, Limp Bizkit, Dead Fish, Rancore e Charlie Brown Jr., referência praticamente obrigatória para toda uma geração de bandas brasileiras.

O resultado é um som intenso, melódico quando precisa, agressivo na medida certa e sempre carregado de identidade própria.

“A gente envelheceu junto, então nossos gostos foram evoluindo e a gente sempre trocou muita referência. Tudo isso acaba batendo direto nas nossas composições”, explicou Mike.

Ao longo dos anos, a Reverso construiu uma discografia que acompanha exatamente essa evolução. O primeiro passo veio com o EP “Felicidades Artificiais”, lançado há quase dez anos e responsável pelo primeiro mergulho real da banda em estúdio.

A Reverso – Foto: GASALUCINAÇÃO

Depois veio o álbum “Instante de Mil Faces”, trabalho mais recente do grupo, além de singles importantes como “Cigarro Matinal” e “Ansiedade”, lançada durante a pandemia e diretamente conectada ao clima emocional daquele período.

Outro destaque da trajetória é “A Máscara do Palhaço”, faixa que, segundo a banda, ocupa um lugar especial dentro do repertório. “Essa música mergulha fundo em uma ferida comum a muita gente: a busca pela verdadeira felicidade. Ela questiona essas camadas que a gente cria para esconder o que realmente sente”, explicou Guidio.

As letras da Reverso funcionam quase como um diário aberto da banda, sem personagens, sem fórmulas prontas e sem tentar soar artificialmente profundas. “A gente simplesmente toca o que vive. É uma entrega honesta de quem somos em cada fase”, resumiu o vocalista.

Essa honestidade também aparece quando o assunto é a realidade do rock independente brasileiro. Para os integrantes, a cena continua viva, mas sustentada principalmente pela paixão de quem insiste em continuar criando.

“A real é que a cena independente em Assis, Prudente ou em qualquer lugar do Brasil é movida a puro amor. O sonho de ‘rockstar’ dos anos 2000 ficou para trás; hoje, quem faz, faz porque ama e porque acredita no som”, afirmou Mike.

Segundo os músicos, as dificuldades mudaram de forma ao longo dos anos. Antes, gravar ou comprar equipamento era quase inviável financeiramente. Hoje existe mais acessibilidade técnica, mas faltam espaços para tocar.

“O rock está fora do mainstream há muito tempo. O grande desafio hoje é encontrar equilíbrio entre público, cachê e estrutura para continuar existindo”, avaliou Guidio.

Talvez justamente por isso o convite para tocar no Rock Cidade tenha sido recebido com tanto entusiasmo pela banda. “Quando veio o convite, foi de primeira: ‘vamos nessa!’. Faz muito tempo que a gente não cola em Assis. Anos atrás tocávamos direto nas festas da UNESP e em um bar antigo chamado Dublin. Então voltar agora, em um festival desse tamanho, tem um significado enorme pra gente”, contou Mike.

E a expectativa é entregar exatamente aquilo que consolidou a Reverso ao longo desses anos: intensidade máxima. “Nossa característica é deixar tudo no palco. A gente vai pra se divertir e espera que a galera entre nessa onda com a gente”, disse Guidio.

Para o show no Rock Cidade, a banda promete uma apresentação ainda mais pesada, puxando forte a influência do rock dos anos 90 e 2000.

“Vamos tocar algumas autorais, mas o que não vai faltar é intensidade do começo ao fim. Podem esperar um som direto e muita energia!”, finalizou Mike.

Portal AssisCity segue com a série especial apresentando as bandas que vão agitar o festival, revelando histórias, influências e a força da cena musical de Assis e região.

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